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Movimento Preserva Ilhéus denuncia abandono do patrimônio histórico do município aos Ministérios Públicos Estadual e Federal

Por falta de conservação, casarão histórico da Rua Conselheiro Dantas teve desabamento de parte de sua fachada em janeiro. (Foto: Reprodução Facebook)

Uma cidade histórica que não preserva a sua própria história. Essa é a percepção de muitos moradores e visitantes de Ilhéus que acompanham diariamente os prédios históricos se deteriorando por falta de manutenção. Por conta disso, o Movimento Preserva Ilhéus, através dos institutos Nossa Ilhéus e Floresta Viva e do Grupo de Amigos da Praia (GAP), quer que os Ministérios Públicos Estadual e Federal apurem as responsabilidades dos gestores públicos em relação ao visível abandono do patrimônio municipal.

Em representação encaminhada na quarta-feira (21) ao MPF, o coletivo denuncia a ausência de conservação de um casarão localizado à rua Conselheiro Dantas, centro de Ilhéus. O prédio, datado do início do século XX e tombado como patrimônio histórico municipal, já abrigou a sede da Marinha Mercante na cidade e foi cedido à Prefeitura de Ilhéus em 2018 para a instalação da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo.

No entanto, desde lá, a prefeitura não deu a destinação correta ao prédio nem tampouco garantiu sua proteção, tendo o local se tornado abrigo para moradores de rua e usuários de drogas e ponto de descarte de resíduos de construção. A ausência de cuidado da estrutura ainda levou ao desabamento de parte da sua fachada no dia 20 de janeiro, colocando em risco a vida das pessoas que passavam pelo local.

A falta de manutenção de outros monumentos históricos da cidade, como a Biblioteca Adonias Filho, a Casa Jorge Amado, o Palácio Episcopal e o Obelisco da Avenida Dois de Julho, é tema de outra representação do Preserva Ilhéus, protocolada no Ministério Público Estadual no dia 12 de abril. O documento solicita apuração do órgão sobre a omissão da prefeitura em relação à proteção desses bens culturais.

“Povo sem história é povo sem memória. Esperamos que os nossos gestores cumpram a legislação e garantam a conservação do nosso patrimônio cultural e natural, que contam não só a nossa história, mas também de toda a região”, pontuou a presidente do Instituto Nossa Ilhéus, Maria do Socorro Mendonça.

Apenas 13 anos separam Ilhéus das comemorações de 500 anos de capitania hereditária e cabe o questionamento: como estará o patrimônio histórico do município até lá? O Movimento Preserva Ilhéus, coletivo de cidadãos que incorporou o grito das maritacas que perderam seu lar em 2020, continuará gritando para que outras páginas da memória da cidade não sejam apagadas ou se percam no tempo.

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