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Microcefalia: casos triplicam na Bahia

microcefalia

A Microcefalia é uma malformação congênita (de nascença) no cérebro. Bebês com microcefalia nascem com o perímetro cefálico menor que o normal (32 cm). A Microcefalia pode ser causada por diversas origens, como agentes químicos e biológicos (muitos dos agrotóxicos que conversamos na semana passada causam microcefalia), bactérias, vírus e até radiação.

O Brasil passa por um surto de microcefalia. Em alguns estados do Nordeste, o aumento da incidência de casos de microcefalia chega a 700% em alguns estados. Na Bahia, as ocorrências de microcefalia já triplicaram esse ano em relação ao ano passado. Foram identificados no estado 150 casos suspeitos de microcefalia até o dia 3 de dezembro.

O novo balanço da Secretaria de Saúde estadual foi divulgado nesta segunda-feira (7). Há três dias, eram 112 a quantidade de notificações. Ao todo, seis bebês já morreram em decorrência da doença. Os óbitos ocorreram nas seguintes cidades: Salvador (1), Itapetinga (1), Olindina (1), Tanhaçu (1), Camaçari (1) e Itabuna (1).

Tabela 1. Casos de microcefalia no Brasil até 01/dez/2015. Fonte: Ministério da Saúde.

tabela microcefalia

No final de novembro, o Ministério da Saúde confirmou que há uma relação entre o surto de microcefalia no Nordeste e o vírus zika. É urgente combater o mosquito transmissor, o aedes aegypti. Conhecido no Brasil como mosquito da dengue, o inseto também pode transmitir a febre amarela, a chikungunya, além do zika vírus.

Identificado pela primeira vez no país em abril, o zika vírus tem provocado intensa mobilização das autoridades de saúde no país. Enquanto a doença costuma evoluir de forma benigna – com sintomas como febre, coceira e dores musculares – o que mais preocupa é a associação do vírus com outras doenças. Além de confirmar a relação do zika com a microcefalia, o Ministério da Saúde confirmou também a relação da doença com a síndrome de Guillain-Barré, que afeta o sistema nervoso e pode provocar fraqueza muscular e paralisia – geralmente temporária – dos membros e que, em casos mais graves, pode até paralisar a musculatura respiratória, impedindo o paciente de respirar, levando-o à morte.

​Essa semana foi confirmado pela prefeitura os primeiros casos da febre chikungunya em Ilhéus. Os sintomas da chikungunya se parecem com os da dengue: febre, dores (especialmente nas articulações), cansaço e manchas avermelhadas na pele.

​De acordo com o diretor de vigilância em saúde da secretaria municipal, Antônio Firmo, o município intensificou a investigação de casos suspeitos no último mês. Exames do Laboratório Central do Governo do Estado confirmaram as suspeitas.

Segundo o secretário municipal de saúde, Antonio Ocké, todas as providências estão sendo tomadas para tratar os pacientes e evitar a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypit, o mesmo que transmite a dengue e o zika vírus.

zika ilheus

Porém, ao buscarmos informações, só encontramos referências a ações efetivas de combate ao mosquito da dengue até o mês de maio, quando foi anunciado que o número de casos de dengue estava sendo reduzido. De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Luiza Maron, os 572 casos notificados da doença na 11ª semana deste ano (15 a 21 de março) caíram para 57 na 17ª semana (26 de abril a 2 de maio).

Já o índice de infestação do Mosquito da Dengue que, em 2013, foi de 15,9 (ou seja, de cada 100 domicílios visitados, quase 16 possuíam larvas do mosquito transmissor) já se situa na casa dos 8,2, mas ainda muito acima da taxa de 1%, considerada aceitável pelo Ministério da Saúde.

Foi também em maio a última vez que tivemos notícias de acontecer um ciclo de visitas de rotina aos 78 mil domicílios da zona urbana de Ilhéus. Na ocasião, sessenta e três agentes de endemias da Secretaria de Saúde (Sesau) e 25 agentes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) efetuaram ações de combate à dengue no município durante dois meses, com previsão de término em junho.

No município de Ilhéus, em 2015, segundo a Lei Orçamentária Anual, foram destinados aproximadamente 83 milhões e 600 mil reais para a Secretária de Saúde, desse recurso, 4 milhões e 383 mil foram destinados a Vigilância Epidemiológica, responsável pelo Combate ao Mosquito da Dengue.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual submetido pela Prefeitura à Câmara de Vereadores de Ilhéus essa semana para 2016 prevê o investimento de aproximadamente 88 milhões e 500 mil reais para a Secretária de Saúde, dessa receita, 4 milhões e 811 mil são reservados para a Vigilância Epidemiológica. Esse aumento representa apenas 8,8%, valor menor que o ajuste da inflação. Será que esse recurso é suficiente para combater o mosquito da dengue?

Cabe a cada cidadão fazer sua parte para evitar a proliferação do mosquito, que põe seus ovos em água limpa parada, por isso é importante evitar que ela se acumule em pneus, vasos de plantas e qualquer outro recipiente aberto. Além desse cuidado em casa, ajudar os vizinhos é uma ação muito importante, seja um fiscal na sua rua. O mosquito não tem preferências, então para evitar picadas use repelentes e telas nas janelas e portas.

Cidadania em Debate

O tema do quadro “Cidadania em Debate” de hoje, 10 de dezembro de 2015, será a microcefalia. A partir do meio dia, teremos a presença de Dr. Antônio Firmo, diretor de vigilância em saúde da secretaria municipal e vamos debater os desafios do combate ao mosquito da dengue em Ilhéus. Sintonize na Conquista FM 105,9!

O que? Cidadania em Debate: Microcefalia 

Data: Terça-feira, 10 de dezembro de 2015

Hora: das 12h às 13:30h

Rádio: Conquista FM 105,9

1 Response

  1. iamara franca

    Estive em Ilhéus a passeio e fiquei impressionada com o acúmulo de lixo nas ruas. Entre Ilhéus e Olivença, montanhas de lixo residencial, móveis quebrados e restos de podas em toda a extensão da rodovia. Não houve recolhimento desse material durante os cinco dias passados ali. No resort onde ficamos a quantidade de mosquitos era enorme. Tivemos que comprar repelente.

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