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“Eu sou a minhoca da terra!” – Bob Jal é Gente da Nossa Ilhéus

Em 1954, nasceu o ilheense Jailson Conceição dos Santos, com o seu jeito único de ser. Talvez o nome de batismo não faça você lembrar dele, mas o apelido é único: Bob Jal. Figura única, esse ilheense tem o cotidiano marcado pelo encontro com inúmeras pessoas, com quem compartilha a sua alegria de viver e a admiração pela sua cidade natal.

Filho de mãe lavadeira e pai estivador, ele e os seus vinte irmãos cresceram em um ambiente simples. Bob Jal, ou simplesmente Jal, já foi ajudante de cozinha, montador de móveis, e há 42 anos, é porteiro do edifício que hoje abriga o banco Itaú, localizado na Rua Jorge Amado, no centro de Ilhéus.

Como um apelido sempre vem acompanhado de uma história, Bob Jal não é assim conhecido em vão. Ele foi presidente fundador do Movimento Negro Unificado de Ilhéus (MNU), fundado no bairro da Conquista. Na entidade, todos os membros possuem um nome artístico. Então, o fã de Bob Marley juntou ao apelido reduzido do nome de batismo e daí surgiu “Bob Jal”.

Foto: Bruna Sílvia

Enquanto presidente do MNU, ele articulou para a criação de leis em prol do fortalecimento da temática e pelo direito de receber recursos públicos para a realização de eventos visando a valorização, preservação e divulgação das atividades culturais do Movimento.  

Outra atuação importante foi na área de Relações Públicas do Grupo Afro Mini Congo – “Força, Resistência e Beleza.” Em 1984, ele representou Ilhéus no Troféu Imprensa, em Porto Seguro, onde estiveram presentes vários artistas, políticos e autoridades.

Constantemente em busca dos seus direitos, Bob Jal já foi ouvido sobre a blitz contra a poluição sonora na cidade, à qual expressou o seu apoio, prezando sempre pelo bem estar da população.

Pai de três filhos, encontra neles força para continuar com o coração radiante, sempre em busca de uma cidade melhor e mais humana, participando de projetos sociais. “Meus filhos são meu sangue, minha vida”, comenta.

Enquanto “minhoca desta terra”, como Jal se autodenomina, está sempre em busca da verdade dos fatos, e assim, espalhar sua cultura pelo mundo. Ele comenta que, por meio dos livros de Jorge Amado, Ilhéus ganhou enorme reconhecimento mundo afora. Entre os muitos romances que retratam a região, Gabriela, Cravo e Canela”, mostra parte da sociedade cacaueira. Mas, segundo o ilheense, a cidade é muito mais do que o livro mostra, pois são muitas as riquezas, são plurais as nossa histórias, os seus habitantes, as vivências.


É preciso que os habitantes deem conta de conhecer o município mais a fundo, ter contato com os acontecimentos marcantes do dia a dia, das coisas que podem interferir no modo de vida da população, da política, por exemplo.


Somando isso à carência de oportunidades na cidade, Jal lamenta que muitas pessoas precisem sair de Ilhéus para construir suas vidas  em outro lugar. “É necessário muito progresso, trabalho e investimento na cultura e educação para que essas partidas não sejam necessárias”, sugere. Por outro lado, ele reconhece que, com o passar dos anos, a cidade tem crescido em termos de infraestrutura, como a construção da nova ponte, de novas estradas e moradias.

Como Bob Jal contribui para uma Ilhéus melhor? Em seu ofício, ele esbanja pertencimento, carisma e solicitude. Trata bem as pessoas, dá assistência no que for preciso, oferecendo ajuda e informação para turista ou morador da cidade. Ele conta que a empatia e a educação estão em todas as saudações que ele expressa ao longo de cada dia. Não economiza em dizer “bom dia!”, “muito obrigada!”, “com licença”, e outras expressões semelhantes, a fim de incentivar esse hábito em outras pessoas.

Observando sua trajetória e modo de ser, não é difícil observar por que ele é bem quisto. Ao fim, Jal economiza na modéstia e brinca ao dizer que Jesus já proferiu as seguintes palavras: “Eu não gosto que mexam com Jal, ele é eterno”, ri.

Pesquisa e texto: Bruna Sílvia – voluntária de comunicação do Instituto Nossa Ilhéus, estudando no 2º semestre de Comunicação Social da UESC.

Pesquisa e vídeo: Bruna Cleisla – voluntária de comunicação do Instituto Nossa Ilhéus, estudando no 3º semestre de Comunicação Social da UESC.

Supervisão e revisão de texto: Tacila Mendes – gerente de comunicação do Instituto Nossa Ilhéus.

“Gente da Nossa Ilhéus” é uma iniciativa do Instituto Nossa Ilhéus que visa produzir conteúdo que engaje as pessoas por meio do conhecimento de quem faz a diferença no dia a dia da cidade e, consequentemente, do sentimento de pertencimento. Quem conhece mais, ama mais.

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