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“A dança cria possibilidades que nenhum outro conteúdo é capaz de criar.” – Érica Ocké é Gente da Nossa Ilhéus

Uma história de amor pela arte da dança. Vamos contar a trajetória da ilheense Érica Ocké, de 36 anos, bailarina, empresária da A-rrisca Cia de Dança e professora. Ao escolher fazer o que ama, ela se destacou como cidadã que contribui para que a cidade seja referência no ensino e criação na área da dança.

A história de Érica com a dança tem sido uma construção constante. Antes dos seus dez anos de idade, ela conta que não simpatizava com a ideia de dançar, até que teve seu primeiro contato com o sapateado e com o balé. “Aí surgiu uma grande paixão, na qual descobri, por meio do sentir o movimento, o que queria como profissão”, conta.

Aos dezessete anos foi morar em Salvador, onde cursou a graduação em Dança, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nesse momento de novas vivências, Érica se viu novamente apaixonada, dessa vez, pela Dança Contemporânea, que até hoje preenche boa parte das suas criações coreográficas.

Após quatro anos morando na capital baiana, ela retorna para sua cidade natal, Ilhéus. Apesar de se questionar se transformaria a sua paixão pela arte em seu trabalho principal, pesou muito o seu impulso de trabalhar de forma coletiva, de multiplicar cada vez mais possibilidade de acesso à dança como instrumento transformador da vida.

Já em Ilhéus, em parceria com uma grande amiga e xará, trabalhou durante sete anos na antiga Academia Tônus, trazendo e coordenando a área de dança para aquele local. Nesse período, alguns dos seus projetos foram aprovados em editais do Governo do Estado, entre eles, o espetáculo ‘A-rrisca’ que, em seguida, originou o nome de seu grupo profissional.

Em 2016, Érica conseguiu a aprovação e liberação do Curso Técnico Profissionalizante em Dança, um marco fundamental para tornar Ilhéus referência no mercado de trabalho em arte, já que, até então, só havia esse curso em Salvador.

Foto: acervo pessoal

A vontade de formar novos profissionais para aquecer o mercado de trabalho no ensino da dança, foi uma forma de contribuir e multiplicar as possibilidade de atuação na região. “As pessoas ainda não entendem a importância da arte na educação e na formação do indivíduo, preferem investir em conteúdos que deem retorno financeiro rápido, como cursos de inglês e outros, o que não é ruim, mas tem o mesmo peso, pois passa a desenvolver aspectos do corpo, mente e espírito, de forma mais integral”, observa Érica, que em 2014, seguiu essa premissa e abriu a própria escola, a A-rrisca Cia de Dança, desvinculando-se da Academia.

Antenada com as políticas públicas para a Cultura, Érica é uma agente cultural que busca promover acesso a diferentes públicos para a fruição de espetáculos de dança. Ela observa ainda que, no Brasil, há poucas iniciativas do poder público e da iniciativa privada voltadas para a promoção da arte, o que se soma a uma visão geral de que é algo supérfluo, passatempo, lazer ou hobby.

“A arte cria possibilidades que nenhum outro conteúdo é capaz de criar”, lembra Érica, que também ressalta que toda atividade artística é importante por dar vazão à criatividade, promover o respeito com o outro e consigo, a aceitação, a tolerância, o bem estar.

Como parte de uma política que ela adotou no seu empreendimento, a A-rrisca Cia de Dança, anualmente em fevereiro, abre seleção para bolsistas, voltada para estudantes de escola pública que possuem baixa renda que amam a dança, mas não podem pagar mensalidade. Também adotou a campanha “Adote um bolsista”, para que pais de alunos possam contribuir com bolsistas que, muitas vezes, não podem pagar a passagem para ir às aulas ou mesmo o figurino das apresentações de fim de ano da escola.

Sobre Ilhéus, Érica acredita que a cidade tem um potencial incrível, pela sua natureza, história, cultura e singularidades. Finaliza lembrando que, com a arte, é possível potencializar esse encanto, essas oportunidades de trabalho e renda, pois a criatividade é a matéria-prima do futuro!

ASSISTA AQUI A ENTREVISTA COM ÉRICA OCKÉ

Conteúdo produzido pelas voluntárias de comunicação do Instituto Nossa Ilhéus, como parte da linha “Educação para Cidadania”.

Produção e vídeo: Bruna Cleisla – voluntária de comunicação do Instituto Nossa Ilhéus, estudando no 4º semestre de Comunicação Social da UESC.

Produção e texto: Bruna Sílvia – voluntária de comunicação do Instituto Nossa Ilhéus, estudando no 3º semestre de Comunicação Social da UESC.

Supervisão e revisão de texto: Tacila Mendes – gerente de comunicação do Instituto Nossa Ilhéus.

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